Publicação: Valor Econômico - Página A6
Na seqüência do informe da semana passada (21/5), que discutiu a gestão da base acionária de companhias abertas, hoje vamos focar na segunda atividade mais importante em relações com investidores (“RI”): a administração das expectativas do mercado – essencial para o adequado posicionamento estratégico empresarial e para a criação de valor aos acionistas.
Gerenciar expectativas do mercado significa não surpreendê-lo positiva ou negativamente. Ou seja, se os formadores de opinião (analistas de sell-side, jornalistas financeiros e analistas de crédito, dentre outros) esperam que uma determinada empresa apresente crescimento anual de receita entre 20% e 25% sobre o período anterior, entregar esse crescimento (ou algo levemente superior) é o melhor dos mundos.
Não há outra maneira de construir credibilidade com o mercado de capitais e ter o seu risco percebido reduzido, comparativamente a outras opções de investimento (empresas concorrentes), se a companhia não entregar consistente e recorrentemente resultados em linha com as expectativas do mercado. É essa capacidade que diferencia as empresas do ponto de vista de preferência dos investidores, principalmente em épocas de turbulência.
A adoção de uma política saudável quanto ao fornecimento de projeções (guidance) financeiras ao mercado - prática adotada, de acordo com o National Investor Relations Institute dos EUA (NIRI), por 71% das empresas americanas em 2007 (comparativamente a cerca de 30% no Brasil) -, faz com que haja uma convergência de opiniões no mercado em torno dos resultados que a empresa espera entregar.
As companhias não precisam alcançar o guidance no meio da faixa sem jamais atualizá-lo. Compromisso com o mercado é traduzido por transparência, acesso a informações e igualdade de tratamento. Se a administração perceber que o seu resultado real tende a ficar fora da faixa antecipada, ela deve revisar o guidance sempre que necessário, fornecendo também as explicações que embasam tal revisão. O mercado recompensa as empresas que não dão sustos, ou seja, que dominam o negócio e antecipam – com igualdade de tratamento – desvios em relação a projeções anteriores. Isso é desenvolver credibilidade.
E como um simples investidor pode saber quais são as expectativas do mercado sobre uma empresa? Qual a recomendação dos analistas quanto ao preço-alvo para daqui há 12 meses? E o quão homogênea é essa expectativa comparativamente às empresas concorrentes?
É fácil: basta consultar a seção de RI disponível nos websites das companhias com ações na Bovespa. Boa parte delas dispõe de ferramentas que incorporam “melhores práticas”, tais como seções de “estimativas de analistas” e de “projeções financeiras”. Essas duas informações, tabuladas comparativamente para diversas empresas, levarão o investidor a boas dicas de como administrar sua carteira de ações.








