Publicação: Valor Econômico – 31/07/2008 - Página D5
Lançado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em 2005, o ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial chega à sua terceira revisão de composição da carteira com a divulgação do questionário 2008.
Para fazer parte desse seleto grupo, as empresas elegíveis (detentoras das 150 ações mais líquidas) respondem a um extenso questionário sobre suas práticas nos âmbitos social, ambiental e econômico, além das dimensões de governança corporativa e natureza do produto.
A carteira, divulgada em novembro de 2007 e que será renovada em dezembro deste ano, engloba 40 ações de 32 empresas pertencentes a 13 setores distintos. Juntas, elas somavam, naquela data, R$ 927 bilhões em valor de mercado e respondiam por 40% da capitalização da Bovespa. Em 2007, 62 empresas responderam ao questionário.
Com o crescimento dos Fundos SRI (Socially Responsible Investing), a tendência é que a participação das companhias aumente a cada ano. Se em 2001 havia apenas um fundo socialmente responsável no Brasil, hoje já são sete com essas características, somando patrimônio líquido de R$ 1,3 bilhão. Isso sem mencionar o patrimônio desses fundos no exterior. Visando entrar no radar desses gestores, muitas empresas passaram a dar maior importância à sustentabilidade e colocá-la na agenda de suas discussões.
Para as companhias que já possuem sólidas práticas de sustentabilidade incorporadas em sua gestão, estar no ISE é uma conseqüência natural. Mas não por isso fácil. Já para aquelas empresas que preenchem pela primeira vez o questionário, o desafio é ainda maior, pois, além de envolver o levantamento de informações e evidências de diversas áreas da companhia, chama a atenção para questões sobre as quais, algumas vezes, não se havia pensado antes.
Quando a equipe de relações com investidores lidera esse processo, a busca por apoio em outras áreas da companhia é obrigatória. E para conquistar a colaboração de todos, o engajamento é fundamental. Na maioria das vezes, as equipes estão atarefadas com suas atividades internas e precisam encaixar, em meio a sua rotina, essa nova demanda. Por isso, quanto maior o engajamento das diversas áreas, maiores as chances de a companhia contar com a cooperação de todos e obter um resultado final bastante satisfatório.
O questionário do ISE pode, portanto, se configurar como uma oportunidade mais ampla: a de compartilhar experiências e percepções, bem como de discutir e repensar as práticas adotadas pela companhia. Se visto sob essa ótica, em vez de ser encarado como uma “tarefa a mais”, o preenchimento se converte em um momento produtivo para o diálogo entre as áreas e até mesmo em um norteador de uma gestão pautada na sustentabilidade.
Estar na carteira, claro, é o que todas as companhias que preenchem o questionário almejam. E justamente por este motivo, o ISE acabou por se tornar um importante indutor de boas práticas e um estímulo à transformação.









