Como todos sabem, desde final de setembro do ano passado, o mercado financeiro enfrenta uma de suas crises mais severas desde a quebra da bolsa de Nova York em 1929.
Dentre os efeitos dessa crise, as ações da maior parte das companhias listadas em bolsa foram depreciadas abruptamente e de forma irracional, independentemente da sua nacionalidade. Um segundo efeito perceptível foi à diminuição da liquidez decorrente do aumento das incertezas e do risco percebido pelos investidores que preferiram, na maioria dos casos, migrar seus ativos para investimentos considerados “mais seguros”.
Com a perspectiva de um cenário econômico global de maior estabilidade, os investidores estão voltando a analisar opções de investimentos baratos (oportunistas) no mercado de ações.
Empresas listada abaixo de seu valor patrimonial, que perderam valor de mercado pela saída de investidores relevantes, empresas operacionalmente rentáveis que sofreram por eventuais necessidades de caixa ou que simplesmente estão com os múltiplos muito mais baratos relativamente aos seus pares, se tornam de novo uma opção atraente de investimentos.
E o que as empresas precisam fazer para entrar no radar desses investidores?
Seguramente não será evitando Non-Deal Road Shows e/ou diminuindo a exposição aos investidores. A atividade de RI precisa ser pró-ativa para viabilizar o destaque da história de investimento (e oportunidades) que as empresas representam no mercado.
Além disso, com a retração das atividades dos analistas de sell-side (formadores de opinião) nos grandes bancos/corretoras, a maior parte das companhias brasileiras teve uma diminuição sensível no número de coberturas, tornando ainda mais importante o trabalho pró-ativo do RI na divulgação da história de investimento da companhia (“Por que investir na empresa e por que agora”?).
Portanto esse é o momento das empresas polirem as suas histórias de investimento, entenderem quais os gaps de valor que levaram à desvalorização do papel, dividindo-os entre fatores tangíveis e intangíveis e reforçar, junto aos investidores, os motivos pelos quais esses devem investir no papel.
Um trabalho pró-ativo bem feito que envolva todos os stakeholders (investidores pessoa-física e institucionais, analistas, jornalistas financeiros, funcionários, fornecedores e clientes ), pode não trazer o preço da ação de sua empresa de volta aos patamares de 2007 mas, com certeza, auxiliará na diminuição da percepção de risco, fazendo com que a empresa seja percebida de forma diferenciada no mercado e gerando valor para os acionistas.








