Rodolfo Zabisky
www.mz-ir.com

A MZ é a empresa líder na América Latina em consultoria de relações com investidores, serviços financeiros e comunicação integrada. Fundada em 1999, a empresa revolucionou o mercado focando em inovação e personalização no atendimento aos clientes. A MZ possui atualmente 200 profissionais e mais de 280 clientes em dez países. Em 2007, a Companhia conquistou dois prêmios de empreendedorismo concorrendo com empresas de todo o Brasil: Endeavor-EXAME PME (categoria inovação) e Revista PEGN-FGV (categoria crescimento). Entre os serviços prestados pela MZ destacam-se: estruturação de companhias para abertura de capital (valuation, governança corporativa, draft de prospecto, management presentation e treinamento para roadshow), planejamento e operacionalização de programas globais de relações com investidores, treinamento, inteligência de mercado (geração de valor, análises setoriais, targeting de investidores e administração de expectativas e de base acionária), assessoria de comunicação financeira/negócios, reestruturação financeira e project finance, elaboração de relatórios anuais e de sustentabilidade, teleconferências, webcasts, eventos com investidores, traduções jurídico-financeiras e publicidade legal. Adicionalmente à estrutura de treinamentos corporativos, a Companhia disponibiliza a seus clientes três programas inovadores e exclusivos: IR Global Rankings™, Divulgação Exemplar™ e Assembléias Online™.

Arquivo de novembro, 2009

27.novembro.2009

Web 2.0

Web 2.0, segundo a Wikipedia, é um termo que foi criado em 2004 pela empresa O´Reilly Media, para denominar uma segunda geração de comunidades e serviços na web. O conceito seria a “web como plataforma”, tendo como principais representantes wikis, as indexações feitas com tagueações dos usuários, redes sociais e tecnologia da informação. O termo se refere mais à forma como a web é vista pelos usuários e desenvolvedores do que a atualizações técnicas.

Segundo Tim O´Reilly, “Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nessa nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva”

Em Relações com Investidores a criação do conteúdo não pode ser compartilhada, pois as companhias são as responsáveis por disponibilizar suas informações ao mercado sempre através dos 3 princípios que regem o relacionamento com o mercado: transparência, acesso a informação e equidade de tratamento. Mas o conceito Web 2.0 pode ser aplicado em RI através da flexibilização dos canais de acesso à informação, possibilitando as mais variadas formas de acesso aos usuários, utilizando-se das ferramentas criadas nos últimos tempos, tais como Twitter, Youtube e Vimeo, Facebook e LinkedIn, o Slideshare ou Scribd, RSS, e até mesmo o site mobile, que permite acesso pelo celular ou PDAs, e o bom e velho alerta de e-mail.

Para utilizar as várias ferramentas existentes na internet, as empresas devem ter uma comunicação coesa em TODOS os meios e estar abertas a receber e responder aos vários feedbacks recebidos - caso contrário, o simples uso das ferramentas não podem ser caracterizadas como Web 2.0. Para disponibilizar informações e fazer uso da ‘inteligência coletiva’, a empresa deve contar com a dedicação de sua equipe de RI.

Uma forma de adotar a flexibilização do conteúdo de RI pelo uso do feedback de vários usuários é  fornecer e dar destaque às informações mais acessadas. Esse é o caso, por exemplo, das homes segmentadas ou das nuvens de tags, onde o usuário pode visualizar o que está sendo mais buscado pelos seus pares.

Desde 2004, o IR Global Rankings,  analisa a diversidade de ferramentas de acesso para o usuário na avaliação técnica de IR Website e Relatório Anual Online. O uso de RSS, homes segmentadas e alertas de e-mails foram os primeiros itens avaliados dentro do conceito Web 2.0 e no decorrer das edições, passou-se a avaliar também a presença de Homepages segmentadas e/ou dedicadas para diferentes usuários: Analista x Investidor Institucional x Retail (Figura 01*) ou ainda Homepages personalizadas de acordo com a necessidade do usuário entre outras ferramentas que possibilitam a flexibilidade de acesso à informação (Figura 02**).

Como o grande valor de Relação com Investidores está no conteúdo que é divulgado, o IRGR busca ainda a presença de cada companhia dentro de blogs, fóruns de discussões e redes sociais não apenas com intuito de dar uma avaliação para a companhia pela simples presença em si, mas principalmente para acompanhar as tendências e a velocidade com que esse conceito avança no mundo corporativo.

Hoje, depois de quase 6 anos de existência, o termo Web 2.0 é muito usado e até explorado como forma de marketing por muitas empresas que alegam ser capazes de dominar a plataforma. Mas a realidade é que o termo é pouco compreendido conceitualmente na sua essência. Para que o RI esteja realmente inserido nessa plataforma, é necessário estar capacitado para aproveitar todas as ferramentas já existentes e monitorar respostas e comentários instantâneos, filtrar os feedbacks pertinentes e agir baseado no que inteligência coletiva pode agregar. Se isso não acontece, a atuação do RI dentro da Web 2.0 acaba sendo apenas reativa, com a utilização da plataforma somente para “ouvir”.

Aproveitar o uso desta interatividade e ser capaz de usar uma variedade serviços da plataforma vinculada ao tipo de conteúdo produzido demandaria um trabalho intensivo e muito tempo do profissional de RI. Por isso, o grande salto da Web 2.0, que é o compartilhamento do conhecimento e da inteligência coletiva de forma ilimitada - como já acontece em outros segmentos da comunicação - ainda está por vir na área de Relações com Investidores.

*Figura 01 - Fonte: Website RI ALL, http://ir.all-logistica.com/all/web/default_en.asp?idioma=1&conta=44&V=1

**Figura 02 - Fonte: Website RI ENI, http://www.eni.it/en_IT/investor-relation/investor_landing_struttura.shtml

18.novembro.2009

Não existem “bons problemas”

Um problema mais comum do que se imagina, mas que poucas pessoas pensam sobre como resolvê-lo, até porque costumam considerá-lo um “problema bom”, é quando a empresa considera que suas ações estão valendo mais do que o preço justo.

Uma simplificação do papel de RI é dizer que o RI deve vender a companhia. Na maior parte do tempo, essa definição, ainda que tecnicamente imprecisa, não está errada, principalmente se pensarmos no lado prático, uma vez que as atividades são efetivamente muito similares a uma venda.

No entanto, em uma situação em que a própria companhia avalia que a ação está acima do seu preço justo, o trabalho do RI é quase que diametralmente oposto. A reação cínica a uma situação dessas seria achar que fez um trabalho tão bom que o próprio mercado acha que a empresa vale mais do que vale e que não é preciso gastar tempo com isso, a não ser talvez comemorar e compartilhar esse sucesso com a diretoria e conselho.

De fato, uma atitude dessas pode até ter uma boa repercussão nesses grupos e, além de iniciar a venda das ações detidas por eles (o que não deixaria de ser uma sinalização ao mercado de preço excessivamente alto), pode até mesmo sugerir que é um momento bom para fazer uma nova oferta de ações no mercado.

Nada seria mais inadequado, afinal, uma boa valorização é uma das condições de uma nova oferta de ações, mas nunca poderia ser seu racional – o racional necessariamente deve ser algum uso do dinheiro a ser captado que crie valor para os acionistas ou, no caso de uma oferta secundária, algo que dê liquidez para o mercado ou controlador ou a saída de um sócio private equity, mas ninguém afinal compraria uma ação só porque o controlador acha que agora ela está em um preço adequado para ser vendida, certo?

Temos uma série de passos que devem ser tomados, portanto. O primeiro é fazer uma verificação do próprio modelo. Se o mercado como um todo está apontando para um valor e a companhia acredita em outro, seria arrogância não fazer sequer uma verificação para ver não existem alguns fatores novos que estão sendo ignorados e afetam a avaliação da companhia.

Se a companhia está convicta de sua precificação após uma revisão crítica do próprio modelo, é então preciso entender a razão do mercado estar com uma avaliação diferente da própria companhia.

Dividimos as razões para uma avaliação diferenciada em 3 grupos distintos.

O primeiro grupo refere-se a razões completamente extemporâneas à empresa. Por exemplo, se o investidor está usando premissas com relação à taxa de desconto mais agressivas que a companhia porque está prevendo que o Brasil obterá grau de investimento no curto prazo e a companhia preferiu ser mais conservadora. Ou o mesmo raciocínio com relação a expectativas de taxas de câmbio, onde o analista preveja uma taxa mais favorável que a companhia. Nesses casos, não cabe à companhia discutir taxas de câmbio ou juros com o analista de um banco, ou seja, seria uma distorção “natural” e sobre o qual a companhia tem pouca ou nenhuma influência.

O segundo grupo já demanda uma postura mais pró-ativa da empresa. Isso ocorre quando o mercado começa a criar expectativas infladas sobre o mercado de atuação da companhia, gerando distorções não só na avaliação da própria companhia como do mercado como um todo. Essa situação é a mais crítica, uma vez que é preciso realinhar as expectativas sobre o setor, mas evitar que apenas a própria companhia seja “penalizada” ou a sua valorização relativa aos pares pode ficar prejudicada e, no caso de uma corporação, pode até disparar uma aquisição hostil. Uma conferência sobre o setor e/ou incluir uma seção sobre mercado no release são boas alternativas nesse caso.

O terceiro grupo é uma avaliação errônea apenas da companhia. Aí é o caso de acionar um release de guidance, reforçá-lo em teleconferências e ter certeza que essas expectativas foram compreendidas pelo sell-side.

O importante é que para atuar, em todos os casos, é necessário que a companhia consiga sempre acompanhar os modelos dos analistas, sobre si mesma e sobre os pares, podendo identificar essas fontes de distorções.

No longo prazo, distorções para cima podem ser ainda mais prejudiciais do que distorções que abaixem o valor da ação porque a correção tende a ser exagerada e resta um sentimento persistente de frustração nos investidores com a companhia e de perda de credibilidade. Definitivamente, não é nada a ser comemorado.
 

 

6.novembro.2009

Próximos Passos

Um dos pontos que as companhias brasileiras sempre estiveram muito atrás das americanas e européias é a governança corporativa.

Governança corporativa, vale dizer, é o conjunto de práticas para alinhar os interesses dos diferentes interessados em uma companhia, especialmente administradores, acionistas controladores e acionistas minoritários.

Nesse sentido, o mercado brasileiro evoluiu muito, principalmente com a criação do Novo Mercado e a nova onda de aberturas de capital, que trouxe para o mercado companhias mais alinhadas com o padrão global de governança.

Essas companhias novas já vieram ao mercado com uma estrutura de capital onde todas as ações têm direito a voto, compromisso com maior transparência nas demonstrações financeiras – incluindo-se demonstrações em padrões internacionais e fluxo de caixa, 20% de conselheiros independentes, direitos de tag-along, entre outros pontos positivos para acionistas minoritários.

Outro fator novo no mercado são as chamadas “corporations”, as companhias cujo controle é difuso, sem um controlador claramente definido. Isso fez surgir novos desafios para essas companhias como atingir quoruns adequados em suas assembléias gerais, como evitar precificações muito baixas de seus papéis que poderiam desencadear propostas de aquisições hostis e até mesmo saber o que fazer se ocorrer uma aquisição hostil.

Além das novas companhias, as companhias tradicionais também incorporaram algumas dessas tendências dos novos tempos, com uma boa quantidade delas adotando pelo menos o nível 1 de governança corporativa da Bovespa e o direito de tag-along para seus acionistas.

Então, não há dúvida que avançamos com força nesse sentido nos últimos anos, mas o problema que nos colocamos hoje é que muitas pessoas parecem acreditar que já atingimos um nível de excelência global e a verdade é que ainda estamos muito longe disso.

Em primeiro lugar, se as companhias novas trouxeram um novo fôlego ao mercado, por outro lado, essas companhias novas não representam o mesmo peso no mercado que algumas das antigas, cuja participação, por exemplo, no Ibovespa é muito maior.

Mudanças houve, mas não podemos dizer que foi uma mudança institucional, que o mercado se profissionalizou. Para um investidor estrangeiro, que possivelmente não conhece as regras de novo mercado, é difícil ter que ficar investigando quais companhias atendem que padrão de governança, uma vez que esses investidores prefeririam que o mercado fosse bem regulado como um todo e que seus direitos fossem protegidos independente de escolher investir em uma ou em outra companhia. Afinal, já é bastante trabalho ter que se preocupar com as perspectivas de rentabilidade de uma companhia para ainda ter que ficar estudando e possivelmente limitando seu escopo de investimento em função das suas práticas com relação à governança.

Mas isso depende fundamentalmente de novas legislações e de empenho do governo, então o poder de atuação das companhias com relação a esse ponto é ainda bastante limitado.

O que é preocupante é a aceitação pelo mercado que agora já atingimos um nível ótimo de governança, que as exigências do Novo Mercado são o supra-sumo entre as novas tendências e que quem está no Novo Mercado pode dar-se o luxo de ficar sentado em berço esplêndido.

Não é verdade. As companhias brasileira, mesmo muitas das que estão no Novo Mercado, ainda estão bastante atrás do padrão americano ou europeu.

São diversos pontos a melhorar: maior separação entre funções executivas e de supervisão, maior transparência e profissionalização no processo de escolha dos conselheiros, regras claras de avaliação e remuneração dos diretores e presidentes, menor ingerência do controlador sobre as decisões da companhia, entre vários outros fatores.

Para isso, esperaríamos mais medidas como formação de comitês específicos para certos assuntos como remuneração e nomeação de conselheiros e diretores, a separação estrita entre a função de diretor e a de conselheiro, um conselho com a maior parte de seus membros sendo independentes, enfim, uma série de práticas comuns no exterior e ainda distantes da nossa realidade.

Os avanços são muitos e positivos, mas eles não podem estancar nossa capacidade de seguir em frente.

MZ Ltda 2009. Todos os direitos reservados.