Rodolfo Zabisky
www.mz-ir.com

A MZ é a empresa líder na América Latina em consultoria de relações com investidores, serviços financeiros e comunicação integrada. Fundada em 1999, a empresa revolucionou o mercado focando em inovação e personalização no atendimento aos clientes. A MZ possui atualmente 200 profissionais e mais de 280 clientes em dez países. Em 2007, a Companhia conquistou dois prêmios de empreendedorismo concorrendo com empresas de todo o Brasil: Endeavor-EXAME PME (categoria inovação) e Revista PEGN-FGV (categoria crescimento). Entre os serviços prestados pela MZ destacam-se: estruturação de companhias para abertura de capital (valuation, governança corporativa, draft de prospecto, management presentation e treinamento para roadshow), planejamento e operacionalização de programas globais de relações com investidores, treinamento, inteligência de mercado (geração de valor, análises setoriais, targeting de investidores e administração de expectativas e de base acionária), assessoria de comunicação financeira/negócios, reestruturação financeira e project finance, elaboração de relatórios anuais e de sustentabilidade, teleconferências, webcasts, eventos com investidores, traduções jurídico-financeiras e publicidade legal. Adicionalmente à estrutura de treinamentos corporativos, a Companhia disponibiliza a seus clientes três programas inovadores e exclusivos: IR Global Rankings™, Divulgação Exemplar™ e Assembléias Online™.

18.novembro.2009

Não existem “bons problemas”

Um problema mais comum do que se imagina, mas que poucas pessoas pensam sobre como resolvê-lo, até porque costumam considerá-lo um “problema bom”, é quando a empresa considera que suas ações estão valendo mais do que o preço justo.

Uma simplificação do papel de RI é dizer que o RI deve vender a companhia. Na maior parte do tempo, essa definição, ainda que tecnicamente imprecisa, não está errada, principalmente se pensarmos no lado prático, uma vez que as atividades são efetivamente muito similares a uma venda.

No entanto, em uma situação em que a própria companhia avalia que a ação está acima do seu preço justo, o trabalho do RI é quase que diametralmente oposto. A reação cínica a uma situação dessas seria achar que fez um trabalho tão bom que o próprio mercado acha que a empresa vale mais do que vale e que não é preciso gastar tempo com isso, a não ser talvez comemorar e compartilhar esse sucesso com a diretoria e conselho.

De fato, uma atitude dessas pode até ter uma boa repercussão nesses grupos e, além de iniciar a venda das ações detidas por eles (o que não deixaria de ser uma sinalização ao mercado de preço excessivamente alto), pode até mesmo sugerir que é um momento bom para fazer uma nova oferta de ações no mercado.

Nada seria mais inadequado, afinal, uma boa valorização é uma das condições de uma nova oferta de ações, mas nunca poderia ser seu racional – o racional necessariamente deve ser algum uso do dinheiro a ser captado que crie valor para os acionistas ou, no caso de uma oferta secundária, algo que dê liquidez para o mercado ou controlador ou a saída de um sócio private equity, mas ninguém afinal compraria uma ação só porque o controlador acha que agora ela está em um preço adequado para ser vendida, certo?

Temos uma série de passos que devem ser tomados, portanto. O primeiro é fazer uma verificação do próprio modelo. Se o mercado como um todo está apontando para um valor e a companhia acredita em outro, seria arrogância não fazer sequer uma verificação para ver não existem alguns fatores novos que estão sendo ignorados e afetam a avaliação da companhia.

Se a companhia está convicta de sua precificação após uma revisão crítica do próprio modelo, é então preciso entender a razão do mercado estar com uma avaliação diferente da própria companhia.

Dividimos as razões para uma avaliação diferenciada em 3 grupos distintos.

O primeiro grupo refere-se a razões completamente extemporâneas à empresa. Por exemplo, se o investidor está usando premissas com relação à taxa de desconto mais agressivas que a companhia porque está prevendo que o Brasil obterá grau de investimento no curto prazo e a companhia preferiu ser mais conservadora. Ou o mesmo raciocínio com relação a expectativas de taxas de câmbio, onde o analista preveja uma taxa mais favorável que a companhia. Nesses casos, não cabe à companhia discutir taxas de câmbio ou juros com o analista de um banco, ou seja, seria uma distorção “natural” e sobre o qual a companhia tem pouca ou nenhuma influência.

O segundo grupo já demanda uma postura mais pró-ativa da empresa. Isso ocorre quando o mercado começa a criar expectativas infladas sobre o mercado de atuação da companhia, gerando distorções não só na avaliação da própria companhia como do mercado como um todo. Essa situação é a mais crítica, uma vez que é preciso realinhar as expectativas sobre o setor, mas evitar que apenas a própria companhia seja “penalizada” ou a sua valorização relativa aos pares pode ficar prejudicada e, no caso de uma corporação, pode até disparar uma aquisição hostil. Uma conferência sobre o setor e/ou incluir uma seção sobre mercado no release são boas alternativas nesse caso.

O terceiro grupo é uma avaliação errônea apenas da companhia. Aí é o caso de acionar um release de guidance, reforçá-lo em teleconferências e ter certeza que essas expectativas foram compreendidas pelo sell-side.

O importante é que para atuar, em todos os casos, é necessário que a companhia consiga sempre acompanhar os modelos dos analistas, sobre si mesma e sobre os pares, podendo identificar essas fontes de distorções.

No longo prazo, distorções para cima podem ser ainda mais prejudiciais do que distorções que abaixem o valor da ação porque a correção tende a ser exagerada e resta um sentimento persistente de frustração nos investidores com a companhia e de perda de credibilidade. Definitivamente, não é nada a ser comemorado.
 

 

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