Publicação: Valor Econômico - Página D2
Duas das atividades mais importantes e complexas em relações com investidores (“RI”) consistem da adequada gestão da base acionária e da competente administração de expectativas dos analistas de mercado – formadores de opinião. São atividades tão essenciais para a evolução das companhias abertas (criação de valor aos acionistas e posicionamento estratégico) que os conselheiros de administração deveriam demandar medição e acompanhamento mensal.
Hoje vamos focar na administração de base de acionistas de companhias abertas. Administrar a base significa entender quem está comprando a ação, quem está vendendo, se o perfil dos compradores é adequado ao plano estratégico da Companhia, enfim, ter um completo domínio sobre quem são e quais as motivações dos acionistas.
Para isso acontecer é preciso ter um acompanhamento regular da base acionária, saber quem está negociando as ações e a que preço. Para as companhias que estão listadas apenas no Brasil, essa é uma tarefa menos árdua comparativamente a listagens no exterior, bastando acompanhar os dados do banco custodiante e cruzá-los com o conhecimento de quais são as estratégias de investimento dos fundos e quais os perfis dos seus respectivos gestores.
Quando se sabe quem está negociando com as ações, o próximo passo é entender o porquê. Quais são os principais motivos para um determinado fundo comprar a ação? Ele pretende permanecer na base no longo prazo ou está aproveitando o momento e vai vender em breve? É necessário conhecer o perfil dos investidores, tanto no âmbito agregado (por perfil de investimento), como um-a-um.
Conhecer o perfil agregado dos investidores é vital para avaliar as conseqüências diretas na ação da Companhia. Por exemplo, se muitos fundos de “hedge” estão comprando o papel, certamente as perspectivas de liquidez são positivas, mas uma maior volatilidade da cotação é esperada. Por outro lado, se a companhia estiver atraindo muitos fundos de pensão, talvez haja uma valorização da ação pelos múltiplos maiores que eles estão dispostos a pagar e uma redução do beta do papel, mas existe o risco de reduzir substancialmente a liquidez no médio prazo.
Conhecer o perfil dos investidores um-a-um permite que a Companhia personalize o seu contato com esses investidores. Um investidor do tipo “valor” está interessado em ouvir por que a ação está barata em relação aos pares e como o múltiplo dela está baixo, enquanto um investidor do tipo “crescimento” está mais interessado em ouvir quais são as perspectivas de crescimento da Companhia.
Assertividade em RI nessa atividade, à luz de conselheiros atentos, é mais do que dominar a base acionária corrente. É definir uma estratégia de criação de valor aos acionistas, identificando claramente quem são os investidores que deveriam estar na base acionária e ainda não estão. Além disso, devem-se buscar reuniões com esses investidores identificados e “vender” muito bem a companhia, observando que o mercado cobra as promessas feitas. Prometer e não entregar compromete fortemente a credibilidade, aumenta a percepção de risco e impacta negativamente o valor da Companhia.
Os melhores profissionais de RI devem demonstrar claro domínio do negócio da companhia (e dos concorrentes) e respondem, convincentemente aos investidores, “por que comprar as ações da companhia e por que agora?” E mais do que isso, conseguem mover a base na direção da criação de valor aos acionistas.








